|
"Sábado, 15 de setembro
de 2007, 15h31 Atualizada às 15h30
Que Rei Sou Eu
atinge a maioridade. Relembre a trama!
Ana
Clara Werneck
'Um marco na teledramaturgia brasileira'. É assim que o diretor Jorge
Fernando define Que Rei Sou Eu?, novela que alcançou média de
audiência de 61 pontos, índice considerado histórico para o horário das
19h. A trama foi escrita por Cassiano Gabus Mendes, que morreu quatro
anos depois, em 1993.
A história se passava no ano de 1786, no fictício Reino de Avilan, mas
um observador atento podia notar inúmeras referências à sociedade do
Brasil pós-abertura política.
'Meu pai aproveitou o momento de liberdade de expressão para inserir nos
diálogos todas as críticas que queria', conta Tato Gabus Mendes.
Ele interpretava o mendigo Pichot, levado ao trono como se fosse o filho
bastardo do Rei Petrus II, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri. O
rei morreu deixando uma carta na qual contava um caso extraconjugal.
O príncipe verdadeiro era o revolucionário Jean-Pierre, vivido por Edson
Celulari. Quando descobre sua real condição, ele inicia uma batalha
contra o mago inescrupuloso Ravengar (Antonio Abujamra), responsável
pela tramóia, para tomar o lugar a que tinha direito no palácio.
Tal qual a história dos Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas,
Jean-Pierre, ao melhor estilo D'Artagnan, também contava com um trio de
amigos inseparáveis para alcançar seus objetivos. Eram eles Paulo César
Grande, o Bertrand, Marcos Breda, o Pimpim, e Stênio Garcia, que
espionava o castelo fingindo ser o bobo-da-corte Corcoran.
'Entrei no meio da trama. Era como se fossem dois personagens em um. Foi
tão marcante que ainda hoje me chamam de Corcoran nas ruas!', lembra
Stênio, que torce por um remake.
Embora fosse uma história de época, Que Rei Sou Eu? inseriu
várias novidades na teledramaturgia, a começar pela linguagem, que era
contemporânea. Mas a grande inovação deu-se nos bastidores. Foi a
primeira novela a utilizar o terreno do Projac, que ainda não era o
complexo de estúdios que a Globo utiliza hoje.
Lá foi erguido o castelo da tresloucada Rainha Valentine (Tereza
Rachel). 'Foi a primeira cidade cenográfica montada lá. Era como um
acampamento, sem muita infra-estrutura. Pelo menos matagais para as
batalhas não faltavam', recorda Giulia Gam. Esta foi sua estréia em
novelas, assim como para Vera Holtz, que era Fanny, a auxiliar
apaixonada pelo bruxo Ravengar.
Foi também a primeira vez que uma novela lançou álbum de figurinhas. Um
indício de que a trama de Cassiano conseguia atingir uma audiência ainda
não percebida pelos novelistas: a infantil.
Além disso, o público masculino se identificava com as cenas de esgrima
protagonizadas tanto por homens, quanto por mulheres, um dos exemplos da
agilidade imprimida à história.
'Foi uma comédia de capa e espada. Quantas novelas deste tipo já foram
exibidas? Só esta!', conclui Edson Celulari.
A marca registrada do folhetim, no entanto, foi mesmo a crítica
política. Tudo o que saía nas páginas dos jornais entrava na história.
Como foi o caso da constante desvalorização da moeda no condado, usual
no Brasil dos anos 1980. Ou ainda da lei que instituiu que todos os
cavalos deveriam ostentar um selo, assim como os carros nas paragens
tupiniquins.
'Denunciamos um país tão cheio de problemas na forma de dramaturgia,
usando o lúdico. Duvido que seja possível repetir isso hoje, foi
genial', resume Jorge Fernando."
TV Press
|