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Imprensa

 

Rio, 09 de abril de 2006

Vitória é do bem

Para quem ainda desconfia que Vitória é loba em pele de cordeiro, um aviso: a viúva, vivida por Cláudia Abreu em Belíssima não é "cachorra", não. Pelo menos é o que afirma a atriz, que não tem dúvidas sobre o caráter da personagem e descarta a possibilidade da Vitória ser tão má quanto a Laura, a inesquecível megera de Celebridade. Mas o envolvimento de Vitória com o vilão André (Marcello Antony) tem deixado muita gente com a pulga atrás da orelha.

- É bom para a novela que exista a polêmica, instiga o interesse. Até onde sei ela não tem fraqueza de caráter. Mas está num momento vulnerável afetivamente. André é muito envolvente e sedutor. - diz Cláudia.

A atriz acha que Vitória pode ser mais uma vítima do jogo de sedução em que se meteu para ajudar a amiga Júlia (Glória Pires) a desmascarar o vilão e reaver a fortuna roubada por ele. Apesar do risco, Cláudia não acredita que a personagem seja capaz de trair a empresária e o grego Nikos (Tony Ramos).

- Defendo a honestidade da Vitória. O que é interessante nessa história é mostrar as ambigüidades e a fraqueza do ser humano. Ela é de carne e osso, erra, não é uma heroína perfeita - diz a atriz - Nunca suspeitei dela.

Dúvida Cláudia Abreu teve assim que terminou de gravar Celebridade. Ela foi convidada por Glória Perez para viver Sol, a protagonista de América. Apesar da personagem ser oposta à vilã de Gilberto Braga - tudo o que ela queria - acabou não aceitando o convite, porque passaria mais tempo afastada da filha Maria, de 5 anos, e do marido José Henrique Fonseca, com quem está casada há dez anos. Entre o trabalho e a família, naquele momento, optou pela segunda.

- Vinha de outra novela e tinha uma filha pequena. Achei que não ia corresponder - explica ela. - É difícil fazer escolhas na profissão. Às vezes, você quer, mas o corpo não acompanha, e a vida pessoal fica sem espaço.

A volta em Belíssima veio na hora certa. A atriz já queria trabalhar com o autor Sílvio de Abreu e com a diretora Denise Saraceni, que lhe fizeram o convite. Sem falar que a personagem era boa, com um toque de tragédia grega, e o elenco, de primeiríssima.

- Tony Ramos, Fernanda Montenegro, Glória Pires são totens! Parece que estou na Disney! Olho para o lado e vejo o Mickey, o Pateta... - exalta. - Eu me senti como se estivesse fazendo uma pós-graduação. Quando você vê pessoas mais experientes, fica mais atenta, eles não te deixam relaxar.

Para ela tanto faz com quem Vitória irá terminar na trama, se com o mecânico Pascoal (Reynaldo Gianecchini) ou com o mau caráter André.

- O que importa é a troca, o jogo com o Giane e a Cláudia Raia (sua amiga desde a novela O Outro). - afirma. - Costumo dizer que somos da mesma enfermaria, meio doidos, perfeccionistas, obsessivos, tentando fazer o melhor possível.

Um dos grandes encontros da atriz foi com Tony Ramos. Os dois já tinham feito um episódio da série A Vida Como Ela É, mas não chegaram a contracenar. O ídolo que ela sempre admirou desde criança revelou-se ainda melhor:

- Sempre ouvia falar que ele é um bom companheiro, bom caráter. E quando a gente conhece a pessoa, acha que sabe tudo sobre ela. Mas o Tony é ainda melhor. É parceiro, tem um afeto enorme. Se tenho dúvida, estou angustiada ou insegura por algum motivo, falo com ele. É uma pessoa para se levar a vida toda.

Cláudia desconfia de rótulos. Ser apontada como uma das melhores atrizes de sua geração não é algo que ela leve muito a sério. Sabe que qualquer deslize vem seguido de críticas e cobranças:

- Todo mundo acha alguma coisa de você. Não tenho ilusão de achar que sou unanimidade. O jogo nunca está ganho.Você tem sempre que conquistar alguém ou reconquistar todos a cada trabalho. - diz ela, que começou a carreira no teatro e aos dezesseis anos estreou sua primeira novela, Hipertensão (1986), na Globo.

Além de gravar e de cuidar da filha e do marido, a atriz carioca, de 35 anos, encontra tempo para freqüentar o quinto período do curso de Filosofia da PUC, no Rio. Estava grávida quando prestou o vestibular em 2000.

- Senti vontade de estudar, ampliar meus conhecimentos, porque comecei a trabalhar muito cedo. Achei que filosofia me faria ver as coisas de outro ângulo. Mas poderia ter feito psicologia, letras ou história. Vou concluir o curso em sete anos, porque não tenho como fazer seis aulas por período - conta.

O que mais incomoda a atriz hoje é a invasão de privacidade. Ela diz que se considera uma "pessoa absolutamente normal" e que leva uma vida comum:

- Adoraria ser atriz sem que isso me roubasse o anonimato. Aonde eu vou, na praia ou na Lagoa, tem um fotógrafo atrás. Estou o tempo todo sendo vigiada. Acho que perderam o limite. A qualidade de vida fica ruim quando você se sente vigiado.

Mas conciliar a carreira, o casamento e o papel de mãe já não é mais um bicho de sete cabeças para a atriz. Ela conta com a ajuda do marido para tomar conta da pequena Maria. Todo tempo que lhe sobra é destinado à filha.

- Saber que ela está com o pai me consola, mas não muito. Existe a angústia de querer estar com o filho. É uma coisa que toda mãe que trabalha fora passa. - diz ela, que quer ter mais um filho. - Mas, por enquanto, está só na escala do desejo.

Paulo Ricardo Moreira

Fonte: Jornal O Globo
Revista da TV