|
|
Os melhores e piores da TV
em 2005
Pelo 16º ano consecutivo, a equipe de TV Press convocou editores de mais
de 50 cadernos de televisão de todas as regiões do País para elegerem os
Melhores & Piores.
Sábado, 24 de dezembro de 2005, 16h05 Atualizada
às 16h05
Confira os Melhores & Piores 2005 na categoria
teledramaturgia
André Bernardo
O ano de 2005 marcou a retomada dos núcleos de
teledramaturgia da Band e da Record. As duas emissoras não só voltaram a
investir em tramas com sucesso, como a juvenil Floribella, e a
praiana Prova de Amor, respectivamente, como já anunciaram um
segundo horário de novelas para 2006.
O SBT, ao contrário, só conseguiu algum burburinho ao
reprisar Xica da Silva, novela dirigida pelo falecido Walter
Avancini para a extinta Manchete em 1997. Já Os Ricos Também
Choram, que mereceu o título de Pior Diretor para David
Grimberg, chegou a pífios cinco pontos no Ibope. Mas, apesar de todo
o esforço, Band e Record ainda têm muito o que aprender com a Globo. A
"todo-poderosa" continua líder no segmento: venceu nas 12 categorias que
disputou.
Este ano, porém, a disputa foi acirrada entre Alma
Gêmea e Belíssima. A primeira, de Walcyr Carrasco,
levou quatro prêmios: Melhor Autor, Melhor Diretor para
Jorge Fernando, Melhor Ator Coadjuvante para Emílio
Orciollo Netto e Melhor Atriz Coadjuvante para Drica
Moraes. A segunda, de Silvio de Abreu, também não fez feio.
Apesar do pouco tempo no ar - estreou em 7 de novembro -, ganhou três
categorias: Melhor Novela, Melhor Ator para Tony Ramos
e Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
A decepção na área de teledramaturgia ficou mesmo por
conta de América, de Glória Perez. A novela foi
considerada a pior do ano nas categorias ator, atriz e autora. E mais:
ainda fez por merecer o título de Mala Pesada de 2005 pelo
conjunto da obra. De fato, ninguém mais aturava as intermináveis lições
de moral do insuportável Jatobá, o chororô sem fim da apagada Sol ou,
pior, as performances canhestras do pequeno Gabrielzinho do Irajá. Por
essas e outras, o título de "Mala Pesada", daquelas sem alça e em noite
chuvosa, foi mais do que merecido.
Novela
Melhor: Belíssima
A vida é bela
A disputa pelo título de Melhor Novela não foi das mais fáceis.
De um lado, Belíssima, que ganhou nas categorias de melhor ator e
atriz. Do outro, Alma Gêmea, que levou nas de melhor autor,
diretor, ator coadjuvante e atriz coadjuvante. Por uma pequena
diferença, porém, Belíssima ganhou o título. Merecidamente. Há
muito, Sílvio de Abreu não acertava a mão. Suas últimas produções,
Torre de Babel e As Filhas da Mãe, foram frustrantes. Para
dizer o mínimo. Já Belíssima chama a atenção, a começar, pelo
elenco primoroso. Com um "casting" desses, encabeçado por Fernanda
Montenegro e Tony Ramos, qualquer autor fica mais inspirado.
Pior: Bang Bang
Tiro pela culatra
A idéia original até não era ruim. Ambientar uma produção de tevê numa
cidadezinha do Velho Oeste e fazer uma divertida sátira aos problemas
político-sociais dos dias de hoje. O que "pegou" mesmo em Bang Bang,
eleita a pior novela do ano, foi a tentativa, frustradíssima, de
transformar o argumento do autor Mário Prata em novela para o horário
das sete. O que daria, no máximo, uma ótima série ou minissérie de
aventura cômica acabou entediando o público feminino e mais jovem, pouco
afeito ao gênero "western". Num ano de muitas novelas ruins, também
mereceram votos América e A Lua Me Disse.
Atriz revelação
Carolina Oliveira
Estréia promissora
Qualquer outra novata, no lugar de Carolina Oliveira, tremeria da cabeça
aos pés ao contracenar com Fernanda Montenegro e Osmar Prado. Mas ela,
não. Aos 10 anos, a menina escolhida pelo diretor Luiz Fernando Carvalho
entre outras 300 candidatas demonstrou uma segurança e uma desenvoltura
invejáveis. Não por acaso, ela foi, seguramente, a melhor coisa que
aconteceu nas apenas caprichadas microsséries Hoje é Dia de Maria
e Hoje é Dia de Maria - Segunda Jornada. Tanto que Cléo Pires e
Camila Rodrigues, outras fortes candidatas ao título de Atriz
Revelação, tiveram de se contentar com o segundo e o terceiro
lugares, respectivamente.
Ator revelação
Aílton Graça
De tirar o chapéu
A escolha de Aílton Graça como Ator Revelação salvou América
do fiasco total. Não fosse ele, a novela só teria a duvidosa honra de
vencer nas categorias de Pior Ator, Pior Atriz, Pior
Autora e, principalmente, Mala Pesada do Ano para o conjunto
da obra. Até então, o ator só havia feito discretas participações na
série Cidade dos Homens. Mas foi só ele dar as caras na novela
das oito, como o fidelíssimo Feitosa, para ganhar a imediata simpatia do
público. Não é à toa que a reconciliação de Feitosa com Islene,
personagem de Paula Burlamaqui, foi um dos pontos altos no último
capítulo da novela.
Ator
Melhor: Tony Ramos
Talento versátil
De uns tempos para cá, Tony Ramos tem emendado uma produção na outra.
Mal terminou de gravar Cabocla e já havia confirmado participação
em Mad Maria. E mais: ele ainda gravava a minissérie de Benedito
Ruy Barbosa, quando disse "sim" ao convite de Denise Saraceni para
Belíssima, de Silvio de Abreu. Outros atores teriam alegado receio
de desgastar a imagem. Mas, no caso de Tony Ramos, esse problema não
existe. Cada personagem do ator é único. O sujeito é capaz de convencer
como o coronel durão de Cabocla, o empresário inescrupuloso de
Mad Maria e, agora, como o grego bonachão de Belíssima. E
ainda por cima é um cara bacana.
Pior: Murilo Benício
Touro manso
A estréia de Murilo Benício em novelas foi bastante promissora. Era 1993
e ele fez o inesquecível Fabrício, o lixeiro gago e marxista de Fera
Ferida. Acontece que, nos últimos anos, o rapaz não tem acertado
uma. Tanto que tem chamado mais a atenção pelas conquistas amorosas - já
foi casado com Alessandra Negrini, Carolina Ferraz e Giovanna Antonelli
- do que pelos personagens que faz. E, a julgar pelo apático Tião
Higino, de América, a sina permanece. Até o indomável Bandido
tinha mais carisma que ele. Mas o ator não é o único culpado. O texto de
Glória Perez também não ajudava muito.
Atriz
Melhor: Fernanda Montenegro
Estrela bissexta
Se dependesse da vontade do público, Bia Falcão não morreria em
Belíssima. A morte da personagem, no entanto, foi um dos motivos que
encorajaram Fernanda Montenegro a aceitar o papel. De uns tempos para
cá, a atriz só aceita integrar projetos de curta duração, como Hoje é
Dia de Maria, ou fazer participações especiais, como Belíssima.
Sorte a dela, que pode se dar ao luxo de impor tais condições. E azar o
do público, que tem de se contentar com as cada vez mais raras incursões
da atriz na tevê brasileira. Curiosamente, Glória Pires e
Cláudia Abreu,
também de Belíssima, tiveram expressiva votação.
Pior: Deborah Secco
Chororô sem fim
Maldita a hora em que
Cláudia Abreu
não acertou a participação em América. Se ela tivesse topado
fazer a protagonista Sol, teria evitado uma série de transtornos. Como,
por exemplo, a entrega a Deborah Secco do papel da suburbana que
acalenta o sonho de ganhar a vida nos Estados Unidos. O jeito
inexpressivo e lacrimoso da personagem - para dizer o mínimo - não
convenceu ninguém e ainda motivou uma briga que resultou na destituição
de Jayme Monjardim do posto de diretor da novela. No final das contas, o
público torcia por qualquer uma, como Lurdinha ou Islene, de Cléo Pires
e Paula Burlamaqui, menos por aquela que deveria ser a heroína da
novela.
Ator coadjuvante
Emílio Orciollo Netto
Matuto beleza
Não existe papel pequeno para Emílio Orciollo Netto. O ator, de 31 anos,
sempre arranja um jeito de valorizar todo personagem que faz. Mesmo em
uma novela como Esperança, que passou em brancas nuvens, chamou a
atenção como o romântico Marcello. Numa de sucesso, então, faz a festa.
Acostumado a interpretar "ragazzos", Emílio até que se saiu bem como o
irritadiço Crispim, de Alma Gêmea. De quebra, ainda emplacou o
bordão "Ô, Miiiirna!". Mas a briga pelo título de Melhor Ator
Coadjuvante não foi fácil. Por pouco, Bruno Gagliasso, o Júnior de
América, não leva o prêmio para casa.
Atriz coadjuvante
Drica Moraes
Duas em uma
A talentosa Drica Moraes se destacou numa categoria disputada por
veteranas, como Elizabeth Savalla, Arlete Salles e Eliane Giardini. Sem
desmerecer as concorrentes, fez por merecer o título de Melhor Atriz
Coadjuvante por sua atuação em Alma Gêmea. Numa mesma cena,
ela consegue fluir, com espantosa versatilidade, do humor para o drama e
vice-versa. A versatilidade da atriz ficou ainda mais evidente quando o
público teve a oportunidade de assistir, pelo SBT, à reprise de Xica
da Silva. Ficou até difícil acreditar que a atriz que interpreta a
doce Olívia seja a mesma que apronta as piores atrocidades como a
deplorável Violante.
Autor
Melhor: Walcyr Carrasco
Tudo são flores
Desde a trama O Cravo e a Rosa, passando por Chocolate Com
Pimenta, a aposta no humor em ingênuas tramas de época tem rendido
uma audiência para lá de satisfatória para Walcyr Carrasco. Tanto que,
neste ano, Walcyr foi eleito o Melhor Autor nas eleições de TV
Press com a novela Alma Gêmea. A trama, que aborda a
reencarnação, está com uma média de audiência em torno dos 35 pontos.
Isso prova que, além de uma história bem-costurada, com personagens
divertidos e maniqueístas - como vilãs pérfidas e mocinhas sonhadoras -,
os fenômenos espirituais aguçam curiosidade do público.
Pior: Glória Perez
Para boi dormir
A recordista de votos negativos na eleição 2005 de TV Press foi a novela
América, de Glória Perez. A mistura do coitado de um boi com fama
de mau com um casal de protagonistas insossos, que nem tiveram a
competência de acabar juntos, não teve a pimenta que a autora prometia
com a travessia dos imigrantes. Mas quem se perdia no deserto pelo menos
não tinha de assistir ao tedioso Jatobá e ao pequeno Gabrielzinho do
Irajá cantarolando no Tutu do Gomes. Miguel Falabella e Maria Carmem
Barbosa levaram a segunda colocação com a equivocada A Lua Me Disse
pela criação de personagens sem carisma e uma trama que nem foi capaz de
virar assunto.
Diretor
Melhor: Jorge Fernando
As metades da laranja
Jorge Fernando costuma dizer que dorme em média quatro horas por noite e
sempre acorda cantando. Esta disposição, certamente, é um dos motivos
pelos quais Jorge foi eleito o Melhor Diretor com Alma Gêmea.
A cuidadosa direção - não só das cenas, mas de cada ator - é um dos
méritos de Jorginho. O sempre épico e hermético Luiz Fernando Carvalho
ficou na segunda colocação, com as duas edições da série Hoje é Dia
de Maria - sabiamente, tiveram curta duração.
Pior: David Grimberg
Elementos desconexos
David Grimberg, com a apática produção Os Ricos Também Choram, no
SBT, arrecadou a categoria de "Pior Diretor de Teledramaturgia". A
ausência de vivacidade dos personagens, a pouca movimentação de câmaras,
os cortes de cena entediantes e a falta de sensibilidade com a
iluminação foram alguns dos motivos para que o trabalho de Grimberg
fosse eleito o pior dentre todos os diretores.
Séries nacionais
Melhor: Cidade dos Homens
A vez do morro
Cidade dos Homens, que trata das peripécias de Acerola e
Laranjinha, personagens de Douglas Silva e Darlan Cunha,
respectivamente, foi escolhida a "Melhor Série" de 2005. Pegando carona
no tema explorado no filme Cidade de Deus e com histórias
ambientadas em favelas cariocas, a produção de indiscutível qualidade e
a profundidade dos episódios agradaram. Em segundo lugar, ficou A
Grande Família, uma das mais divertidas séries de tevê, com os
consagrados Marco Nanini e Marieta Severo nos papéis principais.
Pior: Mano a Mano
Bola Fora
Mano a Mano, da Rede TV!, foi eleita a Pior Série de 2005.
Estrelada por Leandro Firmino, o Zé Pequeno do filme Cidade de Deus,
o seriado que mostra o contraste entre ricos e pobres, rádios
comunitárias e cultura hip-hop não agradou ao público. Tanto que não
passou da primeira temporada. Em seguida vieram Carga Pesada,
que, apesar de contar com Antônio Fagundes e Stênio Garcia no elenco
fixo, peca pela falta de dinamismo nas histórias, e Sob Nova Direção,
que já demonstra um certo cansaço com relação às mesmíssimas piadas de
sempre. Tanto que é dada como fora da grade da Globo do ano que vem.
Enlatados
Melhor: 24 Horas
Emoção real
As aventuras, intrigas e conspirações internacionais desvendadas pelo
agente Jack Bauer, interpretado pelo ator Kiefer Sutherland - vencedor
do Globo de Ouro por sua atuação no seriado -, atraíram a atenção do
público e consagrou 24 Horas como o Melhor Enlatado de
2005. As séries Smallville, exibida pelo SBT, que narra a
adolescência e a descoberta dos poderes do Super-Homem, e C.S.I.,
da Record, que acompanha o dia-a-dia de uma equipe de peritos criminais,
ficaram em segundo lugar, mostrando que os elementos ficção, aventura e
investigação caem facilmente no gosto popular.
Pior: Chaves
Desventuras em série
Chaves, o clássico seriado mexicano dos anos 80, que conquistou
uma legião de fãs no Brasil, já não faz mais sucesso como antigamente. A
turma composta por Chaves, Kiko, Chiquinha e Seu Madruga, entre outros,
se desatualizou e recebeu o prêmio de "Pior Enlatado" de 2005.
Curiosamente, o investigativo C.S.I, da Record, que figura na
relação dos "melhores" de 2005, também foi bastante votado como "Pior
Seriado" e chegou na segunda colocação.
TV Press
Fonte: Terra Gente
& TV |
|
Domínio global
Apesar da decepção de `América´, Globo foi a
campeã na votação dos destaques do ano
`Belíssima´ foi escolhida a melhor
novela e Fernanda Montenegro (à frente), a melhor atriz
O ano de 2005 marcou a retomada dos
núcleos de teledramaturgia da Band e da Record. As duas emissoras não só
voltaram a investir em tramas com sucesso, como a juvenil Floribella, e
a praiana Prova de amor, respectivamente, como já anunciaram um segundo
horário de novelas para 2006. O SBT, ao contrário, só conseguiu algum
burburinho ao reprisar Xica da Silva, novela dirigida pelo falecido
Walter Avancini para a extinta Manchete em 1997. Já Os ricos também
choram chegou a pífios cinco pontos no Ibope. Mas, apesar de todo o
esforço, Band e Record ainda têm muito o que aprender com a Globo, que
continua líder no segmento: venceu nas 12 categorias que disputou. A
decepção na área de teledramaturgia ficou mesmo por conta de América, de
Glória Perez. A novela foi considerada a pior do ano nas categorias
ator, atriz e autora. E mais: ainda fez por merecer o título de mala
pesada de 2005 pelo conjunto da obra.
(André Bernardo/TV Press)
*Melhor
novela: Belíssima
Belíssima ganhou o título merecidamente.
Há muito, Sílvio de Abreu não acertava a mão. Suas últimas produções,
Torre de Babel e As filhas da mãe, foram frustrantes. Para dizer o
mínimo. Já Belíssima chama a atenção, a começar, pelo elenco primoroso.
Com um casting desses, encabeçado por Fernanda Montenegro e Tony Ramos,
qualquer autor fica mais inspirado.
*Pior
novela: Bang bang
A idéia original até que não era ruim.
Ambientar uma produção de tevê numa cidadezinha do Velho Oeste e fazer
uma divertida sátira aos problemas político-sociais dos dias de hoje. O
que pegou mesmo em Bang bang foi a tentativa de transformar o argumento
do autor Mário Prata em novela para o horário das sete, o que daria, no
máximo, uma ótima série ou minissérie de aventura cômica.
*Atriz
revelação: Carolina Oliveira
Qualquer outra novata, no lugar de
Carolina Oliveira, tremeria da cabeça aos pés ao contracenar com
Fernanda Montenegro e Osmar Prado. Mas ela, não. Aos 10 anos, a menina
escolhida pelo diretor Luiz Fernando Carvalho entre outras 300
candidatas demonstrou uma segurança e uma desenvoltura invejáveis. E
foi, seguramente, a melhor coisa que aconteceu na microssérie Hoje é dia
de Maria.
*Ator
revelação: Aílton Graça
A escolha de Aílton Graça como ator
revelação salvou América do fiasco total. Até então, só havia feito
discretas participações em Cidade dos homens. Mas ao dar as caras na
novela das oito, como o Feitosa, ganhou a imediata simpatia do público.
Não é à toa que a reconciliação de Feitosa com Islene (Paula Burlamaqui)
foi um dos pontos altos no último capítulo da novela.
*Melhor
ator: Tony Ramos
De uns tempos para cá, Tony Ramos tem
emendado uma produção na outra. Mas cada personagem do ator é único. O
sujeito é capaz de convencer como o coronel durão de Cabocla, o
empresário inescrupuloso de Mad Maria e, agora, como o grego bonachão de
Belíssima. E ainda por cima é um cara bacana.
*Pior
ator: Murilo Benício
Nos últimos anos, Murilo Benício tem
chamado mais a atenção pelas conquistas amorosas - já foi casado com
Alessandra Negrini, Carolina Ferraz e Giovanna Antonelli - do que pelos
personagens que faz. E, a julgar pelo apático Tião Higino, de América, a
sina permanece. Até o indomável Bandido tinha mais carisma que ele. Mas
o ator não é o único culpado. O texto também não ajudava muito.
*Melhor
atriz: Fernanda Montenegro
Se dependesse da vontade do público, Bia Falcão não morreria em Belíssima. A morte da personagem, no entanto,
foi um dos motivos que encorajaram Fernanda Montenegro a aceitar o
papel. Azar do público, que tem de se contentar com as raras incursões
da atriz na tevê brasileira. Glória Pires e Cláudia Abreu, também de
Belíssima, tiveram expressiva votação nesta categoria.
*Pior
atriz: Deborah Secco
Maldita a hora em que Cláudia Abreu não
acertou a participação em América. Se ela tivesse topado fazer a
protagonista Sol, teria evitado uma série de transtornos. Como, por
exemplo, a entrega a Deborah Secco do papel da suburbana que acalenta o
sonho de ganhar a vida nos Estados Unidos. O jeito inexpressivo e
lacrimoso da personagem não convenceu ninguém.
*Melhor
ator coadjuvante: Emílio Orciollo Netto
Não existe papel pequeno para Emílio Orciollo Netto. O ator sempre arranja um jeito de valorizar todo
personagem que faz. Emílio se saiu bem como o irritadiço Crispim, de
Alma gêmea. De quebra, ainda emplacou o bordão "Ô, Miiiirna!". Mas a
briga pelo título de melhor ator coadjuvante não foi fácil. Por pouco,
Bruno Gagliasso, o Júnior de América, não leva o prêmio para casa.
*Melhor
atriz coadjuvante: Drica Moraes
A talentosa Drica Moraes se destacou
numa categoria disputada por veteranas, como Elizabeth Savalla, Arlete
Salles e Eliane Giardini. Sem desmerecer as concorrentes, fez por
merecer o título de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Alma
gêmea. Numa mesma cena, ela consegue fluir, com espantosa versatilidade,
do humor para o drama e vice-versa.
*Melhor
autor: Walcyr Carrasco
Desde a trama O cravo e a rosa,
passando por Chocolate com pimenta, a aposta no humor em ingênuas tramas
de época tem rendido uma audiência para lá de satisfatória para Walcyr
Carrasco. Tanto que, neste ano, ele foi eleito o melhor autor com a
novela Alma gêmea. A trama, que aborda a reencarnação, está com uma
média de audiência em torno dos 35 pontos.
*Pior
autora: Glória Perez
A mistura do coitado de um boi com fama
de mau com um casal de protagonistas insossos, que nem tiveram a
competência de acabar juntos, não teve a pimenta que Glória Perez
prometia com a travessia dos imigrantes em América. Mas quem se perdia
no deserto pelo menos não tinha de assistir ao tedioso Jatobá e ao
pequeno Gabrielzinho do Irajá cantarolando no Tutu do Gomes.
*Melhor
diretor: Jorge Fernando
Jorge Fernando costuma dizer que dorme
em média quatro horas por noite e sempre acorda cantando. Esta
disposição, certamente, é um dos motivos pelos quais foi eleito o melhor
diretor com Alma gêmea. A cuidadosa direção - não só das cenas, mas de
cada ator - é um dos méritos de Jorginho.
*Pior
diretor: David Grimberg
David Grimberg, com a apática produção
Os ricos também choram, no SBT, arrecadou a categoria de pior diretor de
teledramaturgia. A ausência de vivacidade dos personagens, a pouca
movimentação de câmaras, os cortes de cena entediantes e a falta de
sensibilidade com a iluminação foram alguns dos motivos para que o
trabalho de Grimberg fosse eleito o pior dentre todos os diretores.
*Melhor
série nacional: Cidade dos homens
Cidade dos homens, que trata das
peripécias de Acerola e Laranjinha, personagens de Douglas Silva e
Darlan Cunha, respectivamente, foi escolhida a melhor série de 2005.
Pegando carona no filme Cidade de Deus e com histórias ambientadas em
favelas cariocas, a produção de indiscutível qualidade e a profundidade
dos episódios agradaram. Em segundo lugar, ficou A grande família.
*Pior
série nacional: Mano a mano
Mano a mano, da Rede TV!, foi eleita a
pior série de 2005. Estrelada por Leandro Firmino, o Zé Pequeno do filme
Cidade de Deus, o seriado que mostra o contraste entre ricos e pobres,
rádios comunitárias e cultura hip-hop não agradou ao público. Tanto que
não passou da primeira temporada. Em seguida vieram Carga pesada e Sob
nova direção.
Fonte: TV Press
Correio da Bahia |
|